Por que o número 4 é considerado azarado no Japão?

Por que o número 4 é evitado em hospitais, prédios e presentes no Japão? Entenda a origem e o impacto dessa superstição.
Se você mora no Japão ou já visitou o país, talvez tenha percebido que alguns estacionamentos pulam o número 4, apartamentos evitam o número de porta “404”, ou que certos conjuntos de objetos nunca vêm com 4 unidades. Isso não é por acaso: o número 4 é considerado um símbolo de azar na cultura japonesa, e tudo está ligado à forma como ele é pronunciado.
A origem da superstição
Em japonês, o número 4 pode ser lido de duas formas: よん (yon) e し (shi). A pronúncia “shi” é a mesma usada para a palavra morte (死). Por essa semelhança fonética, o número passou a ser evitado em diversos contextos sociais e culturais, sendo visto como um mau presságio.
Essa prática faz parte de um fenômeno linguístico chamado goroawase (語呂合わせ), um tipo de jogo de palavras baseado na pronúncia dos números e kanjis. Nesse caso, a associação acabou criando um forte tabu em torno do número 4.
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Onde isso aparece no dia a dia?
A superstição está tão enraizada que se manifesta em diversas áreas da sociedade japonesa:
- Hospitais e clínicas costumam evitar quartos com o número 4.
- Elevadores em prédios residenciais e comerciais, principalmente hotéis, podem pular o 4º andar (passando do 3º direto para o 5º).
- Presentes com 4 itens, como flores ou pratos, são considerados de mau gosto, especialmente em situações delicadas como visitas a pacientes.
- Apartamentos e vagas de estacionamento com esse número costumam ser menos procurados, e às vezes até mais baratos.
O número 9 também é evitado
Assim como o número 4, o número 9 (く / ku) também é evitado em alguns contextos, pois “ku” pode remeter à palavra 苦 (ku), que significa sofrimento ou dor.
Mas nem todo mundo liga para isso…
Vale lembrar que essas superstições são levadas mais a sério por pessoas mais velhas ou em contextos mais formais. Nas grandes cidades, entre os mais jovens, o número 4 pode não causar tanto incômodo assim. Ainda assim, por respeito à cultura local, é sempre bom evitar gafes, principalmente em presentes ou cerimônias.
Em algumas maternidades, os quartos de número 43 (四三 / shi-san) são sempre evitados, isso porque pode soar como “morte do bebê” (死産 / shizan), o que seria extremamente insensível para esse ambiente.
A superstição em torno do número 4 revela como a linguagem pode moldar comportamentos culturais profundos. Se você vive no Japão, vale a pena prestar atenção nesses detalhes, não por medo, mas por respeito às tradições. Afinal, entender esses códigos culturais também é parte da integração.
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