Asteroide Ryugu tem queimaduras de sol e descoberta pode causar um grande impacto na ciência ☀

Pesquisadores do Japão descobriram diversas áreas vermelhas, que na verdade são queimaduras de sol, na superfície do asteroide Ryugu, sugerindo que antigamente ele orbitava muito mais perto do sol.

A descoberta, feita por uma equipe de pesquisadores da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA) e da Universidade de Tóquio, foi publicada nessa sexta-feira (8) na revista americana Science.

A sonda espacial da JAXA, Hayabusa2, que coletou com sucesso amostras de material do Ryugu, observou a luz do sol refletindo a superfície do asteroide e  encontrou áreas que ficaram com uma cor vermelha escura, amplamente dispersas na superfície. A área das crateras que eram relativamente novas, no entanto, não mostraram essa coloração. Esse e outros fatores levaram a equipe a concluir que é muito provável que o asteroide tenha sido exposto ao calor solar extremo por um curto período no passado.

Tomokatsu Morota, professor associado da Universidade de Tóquio e membro da equipe de pesquisa, disse que os vestígios de carbonização na superfície de Ryugu sugerem que o asteroide tenha sido exposto a uma alta temperatura de 600 a 800 graus Celsius. Embora o caminho da órbita do Ryugu atualmente esteja entre a Terra e Marte, a equipe estima que o asteroide tenha orbitado entre o sol e Mercúrio em um determinado ponto entre 300.000 e 8 milhões de anos atrás. A trajetória da órbita de um asteroide pode ser alterada devido a forças gravitacionais de planetas massivos como Júpiter, mas essa foi a primeira vez que realmente houveram evidências físicas da mudança de trajetória do asteroide.

Quando Hayabusa2 coletou amostras de rochas da superfície do Ryugu, em fevereiro de 2019, a sonda tinha pousado em uma parte que continha tanto o material alterado pelo sol quanto a substância original, e é provável que a sonda tenha conseguido coletar os dois. Os pesquisadores esperam descobrir os efeitos do calor solar no asteroide, examinando de perto as amostras quando elas forem trazidas de volta à Terra.

Seiji Sugita, professor de ciências planetárias da Universidade de Tóquio e também membro da equipe de pesquisa, comentou: “Embora se saiba que as órbitas dos asteroides possam mudar bastante, esta é a primeira vez que evidências materiais disso são encontradas, estamos surpresos“.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.