Aumentam os números de estrangeiros que procuram ajuda após perderem seus empregos

Um crescente número de trabalhadores estrangeiros, principalmente que possuem contratos de trabalho com prazo determinado, estão procurando ajuda após terem seus contratos rescindidos.

Os trabalhadores estrangeiros foram diretamente afetados pela crise do coronavírus, que já eliminou mais de 60 mil empregos no Japão.

Na província de Aichi, sede da indústria automobilística do Japão, vários fornecedores de peças automotivas foram prejudicados devido à queda mundial nas vendas de veículos e por esse motivo, começaram a rescindir contratos com vários estrangeiros, principalmente com os nipo-brasileiros.

A província de Aichi tem a segunda maior população estrangeira do Japão, (ficando atrás somente de Tóquio) e segundo os dados de 2019, a província abriga cerca de 62 mil brasileiros no total, o que representa cerca de um terço de todos os brasileiros que moram no Japão.

A disputa comercial entre os Estados Unidos e a China, contribuiu para que a situação de emprego se tornasse cada vez mais difícil e somente no ano passado, cerca de 100 trabalhadores estrangeiros se juntaram ao Sindicato Nagoya Fureai Union para negociarem coletivamente com seus empregadores.

Muitos trabalhadores estrangeiros não sabem os termos do contrato porque não podem ler os contratos”-comentou Shuichiro Tsurumaru, diretor do sindicato individual dos trabalhadores em Nagoya.

-Brasileiros que perderam seus empregos no Japão 

Gilberto Nakao de 61 anos, um nipo-brasileiro da segunda geração, trabalha há mais de 20 anos para uma montadora de autopeças na cidade de Nishio, e ingressou no sindicato após ser informado que seu contrato com a empresa seria encerrado por ele já ter completado 60 anos.

Como um membro do sindicato, o senhor Nakao conseguiu fazer uma negociação para continuar com seu emprego, e após dois meses conseguiu obter um acordo com a administração para que ele se tornasse um funcionário permanente, já que a lei permite que aqueles que trabalham com um contrato de trabalho direto com o mesmo empregador por pelo menos cinco anos, possam solicitar a conversão para um contrato de tempo indeterminado. 

Desde que a lei de controle de imigração foi revisada no ano de 1990, as empresas japonesas reduziram o período de contratação de trabalhadores com prazo fixo para três meses, para assim ajustarem a força de trabalho com base nas perspectivas de produção trimestrais, explicou o professor Kiyoko Tanno da Tokyo Metropolitan University.

Segundo o especialista em problemas trabalhistas enfrentados pelos nipo-brasileiros, “a política de gestão prevalecente para reduzir os estoques, está levando a uma situação de emprego instável para eles”.

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