Babás masculinos lutam contra estigmas e estereótipos no Japão

Assim como em outros países, o preconceito contra babás do sexo masculino somado à uma sociedade patriarcal com mentalidade arraigada de “homens no trabalho, mulheres em casa” ainda é persistente no Japão.

Há muitos anos, a indústria de cuidados infantis tem transpassado a ideia de que as mulheres podem ser muito mais confiantes com crianças do que os homens, tornando os babás masculinos e professores de creches, uma “espécie de raridade”.

Embora exista esse preconceito contra “babás homens”, Naoya Miyatake (30) está determinado a provar que o estereótipo de gênero está errado. Ele já foi classificado como um dos babás mais procurados do Japão no KidsLine- que é um aplicativo que conecta os pais aos babás.

-Casos de pedofilia

No início deste ano, dois homens registrados nesse aplicativo foram presos (em casos separados) por molestarem crianças que estavam sob seus cuidados. Leia mais sobre o aplicativo KidsLine aqui.

A prisão de um desses homens chocou a indústria de creches no Japão, uma vez que ele também tinha uma licença nacional para atuar como professor de creche. Akinori Hashimoto (28) era um reincidente que supostamente estuprou vários meninos e se filmou agredindo-os em seu celular. O outro homem, Ken Arai (30), foi preso por tocar indevidamente em uma menina que estava sob seus cuidados.

“Fique furioso”(…) “Assim como as mulheres avançaram rumo ao mundo corporativo dominado pelos homens, eu esperava ser um catalisador de mudanças para que mais homens ingressassem no setor de creches. Queria provar que os homens podem ser tão bons no trabalho quanto as mulheres”(…)

Crédito: Kyodo

“Sinto que meus esforços foram por água abaixo” –expressou Miyatake se referindo aos crimes cometidos pelos babás da mesma agência que ele.

Esse é um assunto polêmico, pois os dois casos que ocorreram no início deste ano reforçaram ainda mais o estigma associado aos homens na indústria de cuidados infantis.

Para evitar que casos como esses acontecessem novamente, a agência KidsLine suspendeu temporariamente todos os babás do sexo masculino em junho deste ano. Em setembro, a agência apresentou um relatório defendendo a exclusão definitiva dos babás homens, citando uma avaliação psiquiátrica que dizia que “os homens são muito mais propensos a exibir comportamento pedofílico do que as mulheres”.

-Combatendo o preconceito 

Em comparação com os Estados Unidos, a cultura dos babás continua subdesenvolvida no Japão. A forma mais convencional de contratar um/uma babá, é por meio das agências que envia-os para os pais. No entanto, o sistema é ofuscado pela sua conveniência, uma vez que alguns candidatos inapropriados se infiltram no site.

Crédito: Kyodo

Kazuki Shibata, um babá de 30 anos que mora em Nagoya, disse que fica triste em ver como os incidentes (com os babás do KidsLine) podem ter fortalecido o preconceito contra babás do sexo masculino e cuidadores de crianças.

“Espero que as pessoas não esqueçam que muitos de nós somos sinceros em relação ao nosso trabalho e realmente nos preocupamos com o crescimento de crianças brilhantes e saudáveis”– comentou Shibata.

#diaadia


 

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