Barulho, danças e confusão: o que está acontecendo nos trens do Japão?

Os trens do Japão, como o Shinkansen — famoso trem-bala japonês — são reconhecidos mundialmente por sua pontualidade, limpeza e silêncio. Porém, nos últimos meses, algumas situações têm incomodado passageiros locais: turistas estrangeiros, muitas vezes sem saber, estão utilizando os assentos da classe especial — o Green Car — sem o devido bilhete.
Esse tipo de comportamento tem gerado desentendimentos, atritos e até vídeos que viralizaram nas redes sociais, mostrando reclamações de passageiros japoneses e estrangeiros discutindo dentro do trem.
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🚄 O que é o Green Car?

O Green Car é uma classe superior dos trens do Japão, equivalente à executiva em voos. Os assentos são maiores, reclinam mais, há mais espaço para as pernas e o ambiente é extremamente silencioso. Para utilizá-lo, é necessário comprar uma passagem específica, que é mais cara que a da classe comum.
Shinkansen, viagem de Shin- Osaka à Tokyo (Pesquisa feita em maio de 2025):
Assento não reservado (Ordinary Car): ¥13.870
Assento reservado (Ordinary Car): ¥14.720
Green Car (Primeira Classe): ¥19.590
Os preços podem variar ligeiramente dependendo da temporada (baixa, regular, alta ou super alta).
🚄 Por que turistas têm causado problemas nos trens do Japão?
Existem dois principais motivos para os conflitos:
- Falta de informação clara em outros idiomas: Muitos turistas acreditam que o Japan Rail Pass cobre qualquer assento, inclusive os do Green Car, sem entender que existem categorias diferentes do passe (Standard vs Green).
- Choque cultural: No Japão, o silêncio e o respeito no transporte público são valores fundamentais. Falar alto, usar celular em viva-voz ou ocupar assentos errados é visto como falta de educação — mesmo que não intencional.
🚄 Casos recentes

Usuários nas redes sociais japonesas relataram turistas ocupando o Green Car sem bilhete, com discussões quando os fiscais solicitam a passagem correta. Alguns se recusam a sair do assento, alegando que “não sabiam” ou que “já pagaram o Japan Rail Pass”, gerando mal-estar e constrangimento coletivo.
Curiosidade: Os trens-bala da categoria Green Car são os únicos que ainda oferecem serviço de vendas a bordo, como nos aviões — com comidas, bebidas e doces sendo vendidos diretamente nos vagões.
Esses vagões também contam com apoio para os pés, que pode ser usado de duas formas. Se o tecido do apoio for igual ao do chão do trem, você pode manter os sapatos. Mas, se for um tecido diferente, é necessário tirar os sapatos antes de usar.
🚄 A cultura do TikTok e os limites do comportamento em público no Japão

Nos últimos anos, as redes sociais — principalmente TikTok, YouTube Shorts e Reels do Instagram — criaram uma nova tendência: fazer de qualquer lugar um palco para entretenimento. Seja uma estação de trem, uma cafeteria ou até mesmo o vagão silencioso de um Shinkansen.
Vídeos de pessoas dançando, fazendo desafios ou gravando vlogs falados dentro dos trens já circulam nas redes, e muitos usuários nem percebem que estão quebrando normas culturais profundas da sociedade japonesa.
🚄 O problema no contexto japonês

No Japão, principalmente dentro do Shinkansen e outros meios de transporte, espera-se:
- Silêncio absoluto (ou no máximo sussurros);
- Evitar falar ao telefone;
- Não incomodar o próximo com música, vídeos ou comportamentos chamativos
A violação dessas normas — ainda que não escritas — causa desconforto coletivo e pode ser vista como desrespeito, mesmo que o turista não tenha essa intenção.
Quando um vídeo de um turista dançando dentro do trem viraliza e ganha milhares de curtidas, o conteúdo passa a ser interpretado, por outros visitantes, como algo aceitável ou até “legal de imitar”. E as redes sociais servem como propagadoras de “mau exemplo”, causando um efeito dominó.
Ciclo da internet:
- Alguém grava algo fora do comum →
- Ganha visibilidade e engajamento →
- Outros tentam replicar →
- O comportamento se espalha →
- A imagem dos estrangeiros se desgasta junto à população local.
O Japão não é contra redes sociais. Mas o uso inconsciente e desrespeitoso dos espaços públicos pode deteriorar a experiência para todos — tanto para os turistas quanto para os moradores locais. Mais likes não podem valer mais que o respeito à cultura do lugar.
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