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China lança filme elogiando a cidade de Wuhan, epicentro da pandemia

2021.01.23

A China está lançando um filme apoiado pelo Estado elogiando Wuhan, perante ao aniversário de 1 ano do bloqueio de 76 dias (2 meses e meio) na cidade central, onde o coronavirus foi detectado pela primeira vez.

O documentário “Dias e Noites em Wuhan” foi resultado das contribuições de 30 cineastas que retrataram o sofrimento e os sacrifícios feitos pelos 11 milhões de residentes da cidade, equipes médicas e trabalhadores da linha de frente enquanto lutavam contra o vírus que começou a se espalhar pela cidade em dezembro de 2019.

O filme é um dos pelo menos três documentários lançados sobre o bloqueio de Wuhan, incluindo “Coronation“, do ativista Ai Weiwei, que agora vive no exterior após uma campanha de perseguição pelo Partido Comunista da China.

Embora “Dias e Noites em Wuhan” se beneficie do forte apoio do Estado, o documentário “Coronation” de Ai foi rejeitado por festivais, teatros e serviços de streaming. Ele atribui o fenômeno ao medo de ofender o partido no poder, que controla tanto quais filmes podem ser exibidos na China quanto quais filmes chineses podem ser exibidos no exterior.

O bloqueio imposto em 23 de janeiro de 2020 foi eventualmente estendido às áreas vizinhas na província de Hubei, confinando cerca de 56 milhões de pessoas em suas casas.

“Dias e Noites em Wuhan”, dirigido por Cao Jinling, estreou em Wuhan e foi lançado em outras cidades chinesas nessa sexta-feira (22). Ainda não se sabe se o filme será exibido no exterior.

“Queríamos registrar a jornada de luta contra a pandemia de COVID-19 por meio de um filme. Alguns dos detalhes, incluindo o cuidado intenso, a espera ansiosa, despedidas comoventes e renascimentos esperançosos, podem impressionar os telespectadores”, disse Cao à emissora estadual CCTV.

No trailer, a equipe médica expressa repetidamente sua determinação de prevalecer sobre o surto. “Tenho um amor ardente pela minha cidade natal e farei o que puder para salvá-la”, disse um motorista de ambulância.

Hospitais e necrotérios ficaram lotados no auge da crise e Wuhan é responsável pela maior parte do número de mortos na China, pouco mais de 3.800.

Após uma exibição com pouca audiência em Wuhan na sexta-feira, Wang Yu disse que o filme despertou tanto memórias do trauma do bloqueio quanto temores pelo que pode estar por vir.

“É difícil de descrever. Já se passou um ano desde então e, para pensar agora, ainda é doloroso”, disse Wang, de 31 anos, que disse que parentes de seu marido que morreram no surto apareceram no filme.

“Existe o vírus mutante, existe o medo. É o segundo feriado do Ano Novo que temos que passar assim”, disse ela. “As coisas estão um pouco melhores do que no ano passado, mas estou preocupado, não está completamente acabado. Você ainda está sob o efeito do vírus, do medo e do terror.”

O filme repete o posicionamento oficial da China de que as medidas tomadas, incluindo o longo bloqueio, compraram um tempo precioso para o mundo se preparar para a pandemia. Em contrapartida, os críticos dizem que o sigilo habitual do Partido Comunista e as fracas medidas de controle permitiram a propagação inicial do vírus.

A opinião preponderante entre os especialistas é que o coronavirus surgiu de Wuhan, possivelmente de um mercado atacadista de alimentos onde eram vendidos animais selvagens vivos que poderiam carregar o vírus. O governo da China, no entanto, tentou lançar dúvidas sobre a ideia de Wuhan ser a fonte da pandemia, empurrando teorias marginais de que o vírus foi realmente trazido de fora do país, possivelmente por soldados americanos.

O posicionamento chinês parece ter sido bem aceito por muitos residentes de Wuhan, que afirmam que o vírus veio de outros lugares e se consideram apenas vítimas.

Após meses de negociações, a China finalmente permitiu na semana passada que a Organização Mundial da Saúde (OMS) enviasse uma equipe de especialistas internacionais para começar a investigar as origens do vírus. Atualmente, os especialistas estão cumprindo a quarentena por duas semanas.

Wuhan está praticamente livre do vírus desde o fim do bloqueio, enquanto surtos menores geraram novas medidas de contenção em muitas cidades chinesas.

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