Esforços para sentenciar um chefe da máfia japonesa a pena de morte

Os promotores de Fukuoka estão tentando sentenciar o chefe de um sindicato do crime organizado, muitas vezes descrito como o mais violento do Japão, a pena de morte.

Satoru Nomura, de 74 anos, chefe da máfia Kudo-kai, está sendo julgado por quatro crimes distintos no Tribunal Distrital de Fukuoka. No dia 14 de janeiro, o Ministério Público do Distrito de Fukuoka pediu ao tribunal que Nomura recebesse a pena de morte.

A decisão da pena de morte é incomum, visto que dentro de quatro crimes cometidos apenas um foi assassinato, e não há evidências concretas ligando Nomura diretamente ao mesmo.

Os promotores argumentaram que, embora os subordinados da máfia possam ter sido os que realmente cometeram os crimes, como chefe da organização na qual as ordens do chefe são absolutas, Nomura tinha a responsabilidade final e deveria pagar pelos crimes com a sua vida.

Os promotores descreveram os casos como “sem precedentes de natureza extremamente notória dos crimes cometidos pelas máfias”.

O segundo no comando da organização, Fumio Tanoue, de 64 anos, também está sendo julgado. Os promotores estão pedindo prisão perpétua para ele, juntamente com uma multa de 20 milhões de ienes.

Um fator importante por trás da decisão de conseguir a sentença da pena de morte para Nomura é que nenhuma das vítimas dos quatro crimes tinha ligações com máfias rivais.

Os promotores tentaram reconstituir as situações vividas pelas vítimas que fariam com que o líder da organização guardasse rancor por muito tempo, levando-o a cometer os crimes.

Os dois réus negaram todas as acusações contra eles.

Os promotores usaram dois casos para mostrar como Nomura agiu com violência contra aqueles que não se curvaram à sua vontade.

O primeiro caso surgiu com o desejo de controlar os interesses econômicos de uma cooperativa de pesca. Um ex-líder de uma cooperativa de pesca foi morto a tiros nas ruas de Kita-Kyushu, em fevereiro de 1998. O tiroteio foi visto como uma tentativa de pressionar os membros da família que controlavam os interesses econômicos da cooperativa.

Quando eles falharam em ceder às suas exigências, os promotores disseram que Nomura ordenou que seus subordinados fossem atrás de outro membro da família, 16 anos depois. Isso levou ao esfaqueamento de um dentista, em maio de 2014 em Kita-Kyushu, que por acaso era um parente, mas não tinha nenhuma ligação direta com a cooperativa pesqueira.

O segundo caso ocorreu quando Nomura, irritado com a atitude de uma enfermeira de uma clínica médica onde procurava tratamento, ordenou que seus subordinados a esfaqueassem, disseram os promotores.

Nomura também está sendo julgado pelo assassinato de um ex-policial da província de Fukuoka, em uma tentativa óbvia de intimidar as autoridades.

Os advogados da defesa deverão apresentar seus argumentos finais no dia 11 de março e a sentença provavelmente será proferida após o verão.

#crime

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