via: Ex-assistant nurse acquitted of 2003 murder after 12 years in prison - The Mainichi

Japão

Ex-enfermeira que passou 12 anos na prisão foi considerada inocente em novo julgamento

2020.04.01

Um tribunal japonês absolveu na terça-feira (31) uma ex-enfermeira assistente que foi condenada por assassinato e passou 12 anos na prisão após a morte de um paciente em 2003, dizendo que, ao concluir seu novo julgamento, é muito provável que o homem tenha morrido por causas naturais.

Mika Nishiyama, de 40 anos, foi exonerada pelo Tribunal Distrital de Otsu, com o juiz Naoki Onishi dizendo que “não houve crime” no incidente e que o paciente de 72 anos poderia ter sofrido “um batimento cardíaco irregular fatal ou uma falta de oxigênio”.

“Estou muito feliz. Meus pais choraram de alegria”, disse Nishiyama em uma entrevista coletiva em Otsu, capital da província de Shiga. Ela comemorou a decisão com sua mãe de 69 anos, Reiko, que foi vista chorando no tribunal. Seus apoiadores, que esperavam do lado de fora do prédio da corte, aplaudiram quando seu advogado de defesa levantou os documentos mostrando que ela foi considerada “inocente”.

Nishiyama foi condenada em 2005 por matar um paciente removendo o seu respirador em um hospital de Shiga. Mas, no novo julgamento, os promotores não contestaram novas evidências apresentadas por sua equipe de defesa, incluindo a opinião de um médico que apontava a arritmia como uma possível causa de morte. Ela foi indiciada após admitir ter matado o paciente em um interrogatório policial em 2004, mas depois retirou sua confissão, dizendo que havia sido coagida pelos investigadores.

Ela se declarou inocente nos processos judiciais subsequentes, mas o tribunal de Otsu concedeu-lhe uma pena de prisão de 12 anos em 2005. Nishiyama solicitou um novo julgamento em 2010 e, em dezembro de 2017, o Supremo Tribunal de Osaka ordenou que o caso fosse reavaliado, dizendo que o paciente poderia ter morrido por causas naturais com base em novas evidências apresentadas pela equipe de defesa.

(O investigador) exerceu uma forte influência sobre ela e controlou suas declarações“, afirmou Onishi . “Não podemos retroceder o tempo, mas este caso levantou uma grande questão sobre como a justiça criminal funciona (no Japão).”

O novo julgamento começou em fevereiro, depois que a Suprema Corte aprovou a decisão do Supremo Tribunal de Osaka em março do ano passado para reavaliar o caso.  Sua absolvição será finalizada se os promotores não recorrerem a decisão dentro de 14 dias.


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