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Filme mostra a história oculta sobre o deslocamento forçado de imigrantes japoneses durante a Segunda Guerra Mundial, 1943, na cidade de Santos 

2021.08.15

Estreou em 7 de agosto em Tóquio e Osaka, um documentário sobre um acontecimento em 1943, em que imigrantes japoneses foram forçados a deixar a cidade portuária de Santos em São Paulo durante a Segunda Guerra Mundial – uma história que foi oculta por anos pela comunidade japonesa no Brasil.

Yoju Matsubayashi, 42, diretor do filme documentário “Okinawa/Santos”, descobriu um registro com nomes de imigrantes que foram vítimas do deslocamento forçado no Brasil, cerca de 60% das pessoas parecem ser da região de Okinawa. O incidente foi considerado um assunto tabu por muito tempo entre a comunidade de imigrantes japoneses, mesmo depois do fim da Segunda Guerra Mundial.

A imigração japonesa para o Brasil começou em 1908, quando os primeiros navios de imigrantes chegaram a Santos, região sudeste do Brasil. Depois que o Japão e os Estados Unidos foram para a batalha em 1941 durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil aliou-se às potências aliadas e rompeu relações diplomáticas com as potências do Eixo, incluindo o Japão. A discriminação e o preconceito contra os japoneses tornaram-se mais severos a partir de então. O governo brasileiro ordenou a abolição dos jornais em língua japonesa e o fechamento das escolas japonesas, e impôs a proibição do uso da língua japonesa em espaços públicos – medida que atingiu cerca de 200.000 imigrantes japoneses que viviam na época no país.

Em 8 de julho de 1943, o governo brasileiro repentinamente ordenou que imigrantes das potências do Eixo do Japão, Alemanha e Itália que residiam em Santos deixassem a cidade portuária. Essa ordem foi estabelecida após cinco navios, incluindo navios mercantes brasileiros e americanos, foram afundados por um submarino militar alemão na costa de Santos, levando a suspeita de que cidadãos do Eixo estivessem realizando espionagem.

Os imigrantes japoneses foram forçados a partir sob o olhar atento de soldados armados, deixando para trás bens familiares e terras que acumularam em meio às dificuldades. Eles foram colocados em trens e detidos temporariamente em um campo de concentração dentro de São Paulo, antes de se mudarem para o interior e outras regiões com a ajuda de parentes e conhecidos. Muitas pessoas não puderam retornar a Santos e perderam seus bens, mesmo depois que a ordem de deslocamento foi suspensa em 1945.

Depois da guerra, esse trágico incidente não foi falado abertamente entre a comunidade japonesa no Brasil. A ausência de registros em japonês, bem como o regime militar de longa data do pós-guerra, parecem ser os fatores por trás disso.

Além disso, dentro da comunidade da diáspora japonesa, houve conflito entre um grupo de indivíduos que se recusou a acreditar que o Japão havia perdido a guerra e um grupo que reconheceu a derrota japonesa. Até ocorreram ataques terroristas por parte dos primeiros, provocando antagonismo contra os japoneses entre os cidadãos brasileiros. O conflito teria continuado até meados da década de 1950. Em meio a um ambiente tão hostil, acredita-se que os imigrantes japoneses mantiveram silêncio sobre esse triste episódio da história de sua comunidade na tentativa de se encaixar como membros da sociedade brasileira.

O diretor Matsubayashi também é conhecido por seu documentário de 2009, que pode ser traduzido aproximadamente como “Flores e tropas”, que registrou a vida de ex-soldados japoneses que sobreviveram às batalhas na Birmânia durante a Segunda Guerra Mundial e permaneceram lá mesmo depois da guerra.

Matsubayashi ouviu sobre o incidente de 1943 em 2016 de Masayuki Fukasawa, editor-chefe do jornal local de língua japonesa Nikkey Shimbun. À medida que avançava em suas pesquisas, encontrou em uma antiga escola de língua japonesa em Santos um registro contendo a relação dos 585 domicílios de pessoas que foram obrigadas a se deslocarem na época.O registro também listou os locais em que foram detidos e foi um material de primeira classe que registrou o incidente.

Além disso, com base nos sobrenomes, estima-se que 60% dos indivíduos listados eram de Okinawa. Matsubayashi então começou a conduzir entrevistas com a cooperação de uma associação de okinawanos no Brasil. Indivíduos que vivenciaram o incidente e entraram na velhice, falaram de dolorosas lembranças de serem chamados de espiões e enviados para campos de internamento, não podendo levar nenhum pertence, apenas foram enviados com as roupas que vestiam.

O filme também traz à tona uma estrutura de discriminação que existia na comunidade japonesa no Brasil. No passado, os nativos de Okinawa foram vítimas de discriminação por parte de japoneses de outras regiões também. Em Santos, os salões onde os japoneses se reuniam também foram construídos separadamente.

O diretor Matsubayashi comentou: “Os perpetradores e as vítimas da guerra às vezes são as duas faces da mesma moeda. O Exército Imperial Japonês realizou ações ainda mais horríveis na Ásia. Achei que o incidente de Santos foi como o outro lado disso … Eu gostaria que aqueles que assistissem usassem o filme como uma dica para perceber que o incidente é relevante até hoje e também pode acontecer novamente em qualquer lugar no futuro. “

 

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