Flexibilização da fronteira no Japão desperta esperança e preocupação entre os estrangeiros

A partir do dia 1.º de março, o Japão aliviará os rígidos controles de fronteira de coronavírus criticados como discriminatórios e prejudiciais à economia.

As novas regras, no entanto, fornecem apenas uma pequena flexibilização, pois, as 5.000 novas entradas diárias em vez das atuais 3.500 está bem longe das 64.000 entradas diárias antes da pandemia.

Por que o limite de 5.000 entradas ainda é insuficiente?

Crédito: Canva

Destas 5.000 chegadas diárias, também estão inclusos cidadãos japoneses que retornam ao país, o que significa que centenas de milhares de estrangeiros ainda terão dificuldades para entrar.

Meio milhão de estudantes estrangeiros, professores, trabalhadores credenciados como estagiários técnicos e viajantes de negócios foram barrados e estão esperando para entrar no Japão por quase dois anos.

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A longa espera já prejudicou muitas pessoas, tanto mentalmente quanto financeiramente. Alguns mudaram o foco de seus estudos, suas carreiras e até seus planos de vida. Sob a política que entrou em vigor a partir de hoje, seriam necessários vários meses de paciência antes que todos pudessem entrar.

“Ainda é melhor que nada”-disse Jommy Kwok, que perdeu quase todo o seu primeiro ano de aulas de pós-graduação em ciências atmosféricas na Universidade de Hokkaido.

Com o afrouxamento das fronteiras, cerca de 150.000 estudantes e acadêmicos estrangeiros esperam para entrar no Japão.

Críticas às rígidas regras de fronteira no Japão

Crédito: Philip FONG / AFP

O Japão proibiu quase todas as entradas de estrangeiros não residentes desde o início da pandemia, se tornando um dos países mais rigorosos.

Com a diminuição dos casos de coronavírus em novembro, o Japão começou a aliviar as restrições, mas rapidamente reverteu a decisão após o surgimento da variante Ômicron.

Os críticos compararam as medidas de fronteira rígidas e prolongadas do Japão com a política de “sakoku” de país fechado dos senhores da guerra xenófobos que governaram o Japão dos séculos 17 a 19.

Alguns dizem que a proibição de entrada prejudica os interesses nacionais do Japão, pois estrangeiros qualificados poderiam trazer ideias valiosas, negócios e trabalho para o país.

As entradas diárias de 5.000 pessoas podem contribuir com um ganho econômico anual estimado em 1,6 trilhão de ienes, ou 0,2% do PIB do Japão.

Os líderes empresariais também estão pedindo a retomada do turismo em algum momento para reviver a indústria gravemente afetada. O turismo estrangeiro caiu mais de 90% em 2020 em relação ao ano anterior, deixando o mercado de turismo receptivo pré-pandemia de cerca de 4 trilhões de ienes.

Fonte: The Mainichi

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