Japão reconhece pessoas afetadas pela “chuva negra” como sobreviventes da bomba atômica

Três irmãs de Hiroshima comemoram a notícia de que duas delas foram oficialmente reconhecidas como vítimas do bombardeio atômico em 6 de agosto de 1945.

Após uma batalha de 5 anos, o Tribunal Distrital de Hiroshima reconheceu 84 demandantes que foram expostos à “chuva negra” como “hibakusha” sobreviventes da bomba atômica.

Os autores do processo possuem idades entre 75 e 96 anos e argumentam que mesmo vivendo fora da zona demarcada pelo governo, também sofreram danos à saúde, como tumores e cataratas, uma vez que ingeriram água e alimentos contaminados pela chuva radioativa.

O governo sustentava que as pessoas elegíveis seriam aquelas que moravam em uma área delimitada por meteorologistas locais, e todos os 84 autores da ação viviam fora da área classificada.

-Área atingida

O governo reconhecia como hibakusha, as pessoas que foram afetadas dentro de uma área demarcada através de um estudo realizado em 1945.

No entanto, em 2008, a província de Hiroshima e governos locais realizaram um novo estudo com cerca de 37 mil residentes, onde descobriram que a chuva radioativa provavelmente atingiu uma área seis vezes maior que o tamanho da área definida.

-Decisão do Tribunal 

O Tribunal considerou que as 84 pessoas poderiam ter sido expostas à radiação, não apenas pelo contato com a chuva negra, mas através da ingestão de água contaminada pela radiação.

Os 84 autores da ação, foram solicitados a enviarem seus registros médicos e a explicarem os detalhes de onde estavam no momento em que a “chuva negra” caiu, além de estimarem a distância em que estavam da área mais atingida.

O Tribunal também avaliou se os autores desenvolveram alguma das 11 doenças (como o câncer) antes de reconhecê-los como sobreviventes do bombardeio atômico.

Agora eles são elegíveis para tratamento médico gratuito e outros benefícios.

(Crédito: Asahi Shimbun)

-Reconhecimento como hibakusha

O governo japonês já reconheceu mais de 600 mil pessoas como hibakusha, e até março de 2019, cerca de 145.844 deles ainda estavam vivos.

As pessoas consideradas hibakusha têm o direito de receber o apoio do governo e uma certa quantia de subsídio por mês, e as que desenvolvem doenças devido à radiação também recebem um subsídio médico especial.

#diaadia


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