Massacre de Sagamihara: sentença dada ao assassino encerra julgamento de quase 4 anos

Quem se lembra do massacre no Japão que deixou todo mundo chocado em 2016? Caso você não saiba do que estamos falando, vamos refrescar sua memória…

No dia 26 de julho de 2016, um homem invadiu o centro de cuidados para pessoas com deficiência chamado Tsukui Yamayuri En, localizado em Sagamihara na província de Kanagawa. Por volta das 02 da manhã, ele invadiu o local quebrando uma janela de vidro e esfaqueou 19 pessoas que moravam ali, matando todas elas. Além disso, ele feriu outras 26 pessoas, deixando 20 com ferimentos graves. As vítimas fatais tinham entre 19 e 70 anos, eram homens e mulheres: a única coisa que tinham em comum era ser portador de algum tipo de deficiência.

O assassino matou vítima por vítima, invadindo cada quarto por vez. O massacre durou cerca de 40 minutos; os seguranças do local chamaram a polícia mas já era tarde demais, logo, o incidente ficaria conhecido como um dos piores massacres dos tempos modernos do Japão.

Um pouco depois do ataque, um homem dirigiu até a base policial de Tsukui e se entregou à polícia como sendo o responsável pelas mortes: Satoshi Uematsu. No volante do carro que ele dirigia encontrava-se manchas de sangue, provavelmente de suas vítimas. Um dos oficiais de Kanagawa disse aos repórteres na época que quando Satoshi se entregou, carregava um saco com facas de cozinha e de outros tipos, e boa parte estava com manchas de sangue.

Na época com 26 anos, Uematsu já demonstrava ser uma ameaça. Ele antes trabalhara no local e em fevereiro daquele ano ele mandou diversas cartas à políticos ameaçando matar centenas de pessoas em seu turno noturno. Em uma carta ao presidente da Câmara do Parlamento, ele escreveu “o meu objetivo é um mundo onde as pessoas com deficiências possam ser sacrificadas, com o consentimento de seus responsáveis, caso elas sejam incapazes de viver em casa e de serem ativas na sociedade”.

Durante as audiências de seu julgamento na Corte de Yokohama, Uematsu admitiu os assassinatos e continuou dizendo que “pessoas com deficiências que não conseguem se comunicar bem não tem direitos humanos.” Enquanto os promotores do caso pediam pena de morte à Uematsu, sua defesa argumentou que ele era mentalmente incompetente e não deveria ser responsabilizado criminalmente por suas ações.

No mês passado, Uematsu disse à Corte que ele não apelaria independentemente do resultado do julgamento. Sua defesa alegou que seu comportamento mudou drasticamente desde 2015 devido ao uso de cannabis – maconha – e que esta foi um gatilho para seus problemas mentais e para o massacre. A promotoria, ao pedir pena de morte, citou o grande número de vítimas do massacre e também falou dos comentários discriminatórios de Uematsu contra pessoas com deficiências.

Nessa segunda-feira (16) foi decidido: Uematsu foi sentenciado à morte por ter esfaqueado e matado 19 pessoas e injuriado outras 26.


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