Os preços do Japão estão subindo, mas até quando irá durar?

Não é novidade para ninguém que os preços dos produtos estão subindo no Japão, desde alimentos essenciais à produtos de higiene. Mas ao contrário da inflação observada em vários lugares, esses aumentos já são esperados há um tempo.

Segundo analistas, esses aumentos não devem durar muito. Desde a década de 1990, o Japão vem oscilando entre período de baixa inflação e deflação.

A deflação pode ser compreendida como o processo contrário da inflação (queda dos preços) e a princípio, isso pode parecer algo positivo para a economia. No entanto, uma deflação persistente reduz a demanda da economia e pode prejudicar a geração de empregos e da própria renda.

(Veja uma explicação mais detalhada sobre a deflação no artigo do Toro Blog)

O banco central fez uma série de políticas, incluindo empurrar as taxas de juros para o “fundo do poço” para incentivar os gastos e atingir uma meta de inflação de 2%. Essa meta é vista como fundamental para impulsionar a prosperidade na terceira maior economia do mundo.

No entanto, os esforços não funcionaram e no ano passado, os preços dos bens caíram uma média de 0,2%.

Para lidar com a situação, grandes empresas japonesas começaram a aumentar o preço dos produtos de uma forma anteriormente impensável e às vezes até controversa.

Uma das empresas que ficou em destaque em relação ao aumento dos preços, foi a Yaokin Co., com sede em Sumida Ward (Tóquio).

A empresa disse que seu principal produto passaria de um preço de varejo de 10 ienes mais imposto sobre vendas para 12 ienes, sem incluir o imposto sobre vendas a partir de seus embarques de abril.

O preço do Umaibo subiu pela primeira vez desde que o amado lanche foi introduzido em 1979, e seu anúncio causou ondas de choque entre as crianças japonesas.

Crédito: por Ken Kobayashi e Kai Fujii via Nikkei Asia

A demanda de recuperação da pandemia, bem como um aumento no petróleo e outras commodities ligadas à guerra na Ucrânia, podem finalmente estar alcançando o que o Banco do Japão não conseguiu.

Os anúncios dos aumentos dos preços de outras empresas também estamparam as manchetes do Japão, que é um país onde os salários e os preços estão estagnados há muito tempo.

“As pessoas acreditam que os salários e os preços não vão crescer”, por isso as empresas temem perder terreno para os concorrentes se aumentarem os preços dos itens, explicou higeto Nagai, da Oxford Economics.

Muitas empresas preferem não aumentar os preços, absorvendo os custos extras ao invés de repassá-los.

Outras empresas optaram por reduzir o tamanho dos produtos, deixando o preço inalterado, um movimento que ficou conhecido como “encolhimento”.

O aumento dos preços no Japão

Preços altos no Japão

Os principais preços ao consumidor, excluindo alimentos frescos, aumentaram 0,6% em fevereiro, de acordo com dados divulgados na sexta-feira, e alguns economistas preveem que o Japão pode atingir sua meta de inflação de 2% nos próximos meses.

Segundo Nagai, esse nível “não é sustentável” porque é impulsionado por fatores externos intensificado por um iene mais fraco.

Uma chave para alcançar aumentos de preços mais duradouros são os aumentos salariais, que durante décadas as empresas japonesas mantiveram baixos para evitar o aumento do custo dos produtos para os consumidores.

Ao longo das décadas, os empregos vitalícios foram trocados pelos de meio período, e mesmo aqueles com empregos vitalícios tiveram aumentos salariais insignificantes.

O primeiro-ministro Fumio Kishida abordou a questão do aumento salarial como um elemento central de sua política econômica, pedindo que as empresas aumentem os salários em 3% nas negociações salariais anuais da primavera.

No entanto, os últimos anos produziram apenas aumentos marginais, pois os sindicatos priorizam a proteção do emprego.

Fonte: Japan Today

Imagem de destaque: REUTERS/Yuya Shino/File Photo

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