Quem foi Shinzō Abe e qual legado ele deixa para o Japão?

O ex-primeiro-ministro Shinzō Abe entrou para a história do Japão como o líder que ocupou o cargo de primeiro-ministro por mais tempo no país. Totalizando nove anos no poder, Abe resistiu a escândalos e crises.

Quem foi Shinzō Abe?

Shinzō Abe nasceu no dia 21 de setembro de 1954, em Tóquio. Ele era filho de Shintaro Abe, que serviu como ministro das Relações Exteriores do Japão e neto de Nobusuke Kishi, que foi primeiro-ministro do Japão entre 1957 e 1960.

Ele estudou Ciência Política na Universidade Seikei graduando-se em 1977 e ingressou na carreira política em 1982, seguindo os passos de seu pai Shintaro Abe e seu avô.

Essa foto mostra Shinzō Abe com dois anos, no colo de sua mãe, Yoko, e seu irmão mais velho Hironobu, de 4 anos, no colo de seu pai, Shintaro:

Crédito: Álbum de Família/EFE

Abe era casado com Akie Matsuzaki, filha do ex-presidente da Morinaga & Co., uma das maiores empresas de confeitaria do Japão. Os dois não tiveram filhos.

Um momento curioso e até um pouco engraçado, foi a vez que Abe postou uma foto com cinco abacaxis em resposta à proibição do abacaxi na China em 1.º de março de 2021. Nesta ocasião, o Japão importou um recorde de 6.000 toneladas de abacaxis taiwaneses.

Em apenas cinco horas, a foto ganhou milhares de curtidas e retuítes! Outra curiosidade sobre Abe, é que ele também tocava piano:

Participação na política

Crédito: REUTERS/Toru Hanai

Abe, se tornou o primeiro-ministro japonês com o mandato mais longo no Japão pós-guerra, sendo conhecido por sua política externa agressiva e uma estratégia econômica de assinatura que popularmente ficou conhecida como “Abenomics“. Ele liderou o Japão entre 2006-2007 e entre 2012-2020.

Para seus apoiadores, Abe impulsionou a posição global do Japão. Como um político conservador instintivo com a intenção de restaurar o orgulho do Japão, Abe trabalhou durante seus oito anos no cargo de seu último mandato para reforçar a identidade nacional e as tradições históricas do país.

Abe era um político controverso e dividia as opiniões. Para seus críticos, ele representava uma geração mais velha e conservadora que minimiza o histórico de guerra do Japão, enquanto buscava uma política externa preocupante e excessivamente assertiva.

Embora creditado por trazer certo grau de estabilidade ao Japão após um período econômico difícil, Abe irritou a Coréia do Sul e China com sua retórica nacionalista e pedidos para revisar a constituição pacifista do Japão.

Primeiro-ministro do Japão

Crédito: Kazuhiro Nogi/Pool/AFP

Em 2006, a primeira passagem de Abe como primeiro-ministro foi breve e marcada por uma série de escândalos de corrupção política e gafes de seus subordinados.

Abe tinha 52 anos nessa época e foi o político mais jovem a ocupar o posto de primeiro-ministro. Abe renunciou ao cargo no ano de 2007, alegando problemas de saúde.

Em 2012, ele foi reeleito com o apoio de 328 dos 480 membros da Câmara dos Representantes. 

Muitos acreditavam que Shinzō Abe era um representante da aristocracia japonesa: um político de terceira geração, preparado pela família, parte da elite conservadora.

Apesar dos contratempos, Abe liderou o Japão em momentos muito desafiadores, como na recuperação após o grande terremoto e tsunami em Tohoku em 2011, que levou ao colapso dos reatores nucleares de Fukushima.

Ele liderou as políticas Abenomics“, um pacote abrangente de políticas destinadas a tornar o Japão forte, revivendo a economia e mantendo a disciplina fiscal.

Crédito: Martin Bureau/AFP

Abe também teve seus momentos controversos durante seus mandatos, como aparecer vestido de Super Mario na cerimônia de encerramento das Olimpíadas do Rio 2016 antes dos Jogos de Tóquio de 2020.

Crédito: Yu Nakajima/Kyodo News/AP

A popularidade de Abe foi ainda mais afetada devido à forma como ele conduziu o país durante os primeiros meses da pandemia do coronavírus. Seus esforços enfrentaram um grande desafio quando o Japão entrou em recessão na primavera de 2020.

Os críticos acreditam que suas campanhas destinadas a impulsionar o turismo doméstico contribuíram para o ressurgimento de infecções, além disso, um fato que deixou muitas pessoas insatisfeitas, foi a distribuição de duas máscaras de panos para cada família, as famosas “Abenomasks“.

Crédito:Takeshi Iwashita

Em 2020, Abe deixou o cargo novamente, devido a uma recaída da colite ulcerosa que resultou na deterioração de sua saúde durante o verão.

Após várias visitas ao hospital, ele anunciou que pretendia renunciar ao cargo de primeiro-ministro, citando sua incapacidade de desempenhar as funções do cargo enquanto buscava tratamento para sua condição.

Em sua renúncia, Abe lamentou por não conseguir cumprir totalmente seus objetivos políticos devido à sua demissão antecipada. Apesar de ser sucedido pelo aliado Yoshihide Suga e depois pelo atual Fumio Kishida, ele ainda era visto como uma figura poderosa na política japonesa.

Shinzō Abe foi assassinado

Crédito: Philip Fong/ AFP via Getty Images

Em 8 de julho de 2022, Abe foi assassinado por Tetsuya Yamagami, 41, enquanto fazia um discurso de campanha para um candidato na eleição da Câmara dos Conselheiros na manhã de sexta-feira (8).

Ele foi levado às pressas ao hospital, mas infelizmente não resistiu. Abe morreu às 17h03 devido à perda de sangue, embora os médicos tenham tentado ressuscitá-lo com transfusões de sangue maciças.

Os resultados da autópsia mostraram que uma bala entrou no braço esquerdo de Abe e rasgou uma artéria abaixo de suas clavículas esquerda e direita, causando hemorragia grave, disse a polícia.

Os médicos do Hospital de Nara disseram aos repórteres que Abe já estava em estado de parada cardiorrespiratória quando foi admitido no hospital às 12h20.

Leia também: O que levou um homem a assassinar Abe de forma tão cruel?

Crédito:  Yoshio Tsunoda/AFLO

A notícia de sua morte e a forma como ela ocorreu chocou o país inteiro e emocionou toda a população. A polícia prendeu o assassino no local e confiscou a arma artesanal usada no crime.

Embora controverso, Abe de certa forma foi um político que fez muito pela população e levou o Japão a um lugar de destaque deixando um grande legado para as próximas gerações.

Fonte: The Mainichi, BBC News e Japan Times

#diaadia

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *