TOP 10: Vantagens de ser mulher no Japão

Hoje, dia 8 de março é o Dia Internacional das Mulheres e como moramos no Japão, que tem a fama de ser uma sociedade machista, resolvemos destacar 10 pontos positivos de ser mulher morando no Japão.

Não é nenhum segredo que o Japão está nos últimos lugares nos relatórios globais de desigualdade de gênero. Há 10 anos, o Fórum Econômico Mundial classificou o Japão na 101.ª posição em relação à participação das mulheres na economia e na política.

Em 2013, o Japão ficou em 105.º lugar de 135 países, um número bem baixo em relação aos países desenvolvidos.Com base nessas descobertas, você pode pensar que o Japão é um país muito machista e sem espaço para as mulheres.

Infelizmente ainda existem enormes falhas nas diferenças de gênero no trabalho, na economia e na política, mas em outros setores da sociedade japonesa as mulheres têm “muito” poder. Então veja 10 vantagens de ser mulher no Japão:

1-No Japão, a maternidade é uma carreira altamente respeitada

Crédito: iStock

A maternidade no Japão é encarada como uma carreira. Uma mãe japonesa é 100% dedicada a criar seus filhos, supervisionar sua educação e administrar a casa.

De fato, muitos japoneses não conseguem entender por que ser dona de casa não é bem visto em muitos países ocidentais.

Acontece que no Japão, as mães valorizam o vínculo com as crianças, ou seja, estar presente o tempo todo, educá-las, cozinhar refeições nutritivas e cuidar da saúde dos pequenos.

No Japão, as pessoas esperam que a mãe se dedique completamente a cuidar de seus filhos em todos os sentidos. E esse cuidado permanece até mesmo depois dos filhos entrarem no jardim de infância, pois as mães japonesas seguem as instruções da escola em tudo, desde anexar crachás permanentes a cada item pessoal até garantir que as crianças se cumprimentem adequadamente umas às outras, aos professores e aos anciãos.

No ocidente, essa relação de integridade com a criação dos filhos não é tão intensa quanto no Japão, mas isso não quer dizer que não seja valorizada pelas mães de países ocidentais, onde o estilo de vida costuma ser mais corrido e os pensamentos são bem diferentes em relação à maternidade.

2- As mulheres japonesas desfrutam de altos padrões globais de educação

Crédito: Kiyoshi Ota/Bloomberg

Enquanto muitas mulheres vão para faculdades e universidades de quatro anos, uma grande porcentagem das japonesas frequentam faculdades juniores de dois anos. Nessas faculdades elas podem aprender habilidades de secretariado, como contabilidade, se especializar em assuntos como nutrição, educação infantil, enfermagem, música e literatura.

Este pode ser considerado um pensamento estranho: como assim estudar para ser uma boa mãe e esposa? Mas todos esses assuntos estudados nessa faculdade visam produzir boas mães que possam criar filhos completos e educados.

No Japão, eles acreditam que se a mulher quer formar uma família, ela pode passar dois anos aprendendo a fazer isso corretamente, assim como ela faria para qualquer outra carreira.

3-No Japão, a mulher cuida do dinheiro da casa

Crédito: Canva

Ao contrário do que muitos pensam, no Japão, a maioria das mulheres é que ficam no comando da casa, e claro, elas também são responsáveis pelas finanças.

O marido entrega seu salário à esposa, que cuida de todas as despesas. O marido recebe apenas uma mesada do próprio salário, que supostamente gira em torno de US$ 500 por mês.

Sim, as mulheres cuidam da administração e têm sua própria conta bancária “secreta” que ela adiciona a cada mês para cobrir suas próprias necessidades, uma folga ou até mesmo direcionar para a aposentadoria.

Esse pensamento não se aplica à todas as famílias, pois cada vez mais mulheres estão se destacando no mercado de trabalho e ganhando o próprio salário!

4As mulheres japonesas desfrutam de maior apoio à maternidade

Crédito: Canva

Além das taxas de mortalidade materna e infantil estarem entre as mais baixas do mundo, a mãe recebe de 5 a 10 dias na maternidade para descansar e se recuperar.

Durante esse período, as novas mães serão orientadas, por profissionais, sobre como cuidar dos recém-nascidos. As mulheres podem escolher uma instituição pública ou privada para dar à luz e o Seguro Nacional de Saúde do Japão paga um padrão de 420.000 ienes (cerca de 18.500 reais) para a mãe, um valor baseado no custo médio de um parto.

Assim como na maioria dos países, as avós também costumam oferecer um apoio para as mamães de primeira viagem, dando conselhos e cuidando de outras crianças que também podem estar em casa.

5- Vagões separados para as mulheres

Crédito: Anthony Georgeff

Esta vantagem não deveria ser encarado como algo positivo, pois chegou ao ponto das mulheres terem uma área reservada nos vagões de trem para não sofrerem assédios e abusos de homens pervertidos e escrotos. O Chikan é o assédio sexual e é um grande problema no Japão, há muitas mulheres que sofrem com isso principalmente em transportes públicos.

O Japão ainda é muito falho no sistema de denúncias de abusos e violências contras as mulheres, sendo que muitas que denunciam acabam silenciadas ou questionadas como se fossem as próprias culpadas.

Isso é uma realidade que acontece em muitos países, mas para lidar com o grande número de assédios em horários de pico, no Japão, existem vagões de trem separados apenas para as mulheres.

O que era para ser algo positivo, na verdade, serve para evitar crimes que nem deveriam acontecer e é um problema muito mais sério pelo qual devemos lutar.

6- As mulheres quase sempre ficam com a guarda dos filhos no divórcio

Segundo o Código Civil do Japão em relação ao divórcio, os direitos dos pais são concedidos à mãe ou ao pai, não à ambos.

A guarda conjunta é ilegal no Japão e as mães são favorecidas em 80 a 90% dos casos levados aos tribunais.

O pai muitas vezes não consegue ver o filho, pois embora visitas informais possam ocorrer, muitas mulheres optam por não permitir.

Hajime Tanoue, advogado de imigração de vistos do Frontier International Legal Office , explica:

“As mães ganham 90% das decisões judiciais sobre custódia. Algumas ex-esposas insistem que seus ex-maridos nunca mais vejam seus filhos. Mesmo quando um tribunal decide que [o] marido pode ver os filhos uma vez por mês, a ex-mulher pode se recusar a obedecer e não sofrer consequências por isso”.

7- Não ser julgada por usar roupas kawaii

No Japão, as mulheres não são julgadas por usar acessórios, roupas e cabelos infantilizados. Pelo contrário, os homens japoneses têm uma preferência por mulheres mais fofas e delicadas.

As mulheres japonesas mais maduras podem usar chaveiros, roupas e maquiagens bem infantilizadas e não são julgadas por isso.

No ocidente, a mulher é muito mais julgada quando usa algo não “apropriado” para a sua idade e o comportamento infantilizado não é bem-visto por muitas pessoas.

Essa pode ser uma vantagem e desvantagem no Japão. O lado negativo é que muitas mulheres japonesas são infantilizadas pela sociedade e “precisam” agradar outras pessoas sustentando um “personagem” com um tom de voz e gestos mais fofos.

8- Farmácias japonesas são cautelosas ao entregar absorventes

Crédito: Asahi Shimbun

Quando você compra produtos íntimos em uma farmácia no Japão, o balconista sempre colocará em uma sacola mais escura ou dentro de um envelope antes de te entregar o produto. Comprar absorventes não deveria ser algo vergonhoso e que precisaríamos esconder, mas algumas pessoas podem não se sentir confortáveis ao sair com uma sacola transparente em mãos.

Dependendo da farmácia, além dos absorventes, os restauradores capilares, testes de gravidez, laxantes, preservativos, etc. também estão sujeitos a embalagens especiais.

9-Banheiros com áreas espaçosas para se arrumar

Crédito: oggi.jp

A maioria dos banheiros japoneses têm áreas separadas especialmente para as mulheres poderem se maquiar. Geralmente essas áreas dos banheiros contam com grandes espelhos e têm uma boa iluminação.

10- Liberdade financeira

Crédito: Getty Images

As mulheres que seguem os estudos e constroem uma carreira no Japão estão cada vez mais independentes tanto financeiramente quanto emocionalmente. É uma geração de mulheres japonesas que não priorizam a maternidade como algo essencial para viver, mas se preocupam com suas carreiras, realização pessoal, ter sua própria renda, construir seus próprios negócios e expressar suas opiniões.

O Japão ainda é um país que precisa melhorar muito nas diferenças entre homens e mulheres, mas ao contrário do que muitos pensam, já não é uma sociedade dominada apenas pelos homens.

Embora essas 10 vantagens de ser mulher no Japão estejam relacionadas à maternidade e à vida familiar, é importante ressaltar que cada vez mais mulheres japonesas estão ocupando cargos importantes, liderando empresas, administrando os próprios negócios e se dedicando à família.

O equilíbrio entre vida profissional e pessoal no Japão, onde os homens trabalham, as mulheres cuidam da casa, não são mais a única opção e isso mostra que as mulheres japonesas estão cada vez mais adiando o casamento e a gestação para se dedicar aos estudos e à construção de suas carreiras.

Fonte: Sora News

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