Uniformes sem gênero começam a ter espaço nas escolas do Japão

O Japão é bastante conhecido pela “padronização” de seus uniformes escolares, mas estas roupas tidas como “padrão” têm causado angústia mental para os alunos que se identificam como transgêneros, bem como, em alguns casos, para estudantes lésbicas, gays e bissexuais.

Para atender às necessidades desses alunos, um número crescente de escolas secundárias de províncias japonesas está relaxando ou eliminando o código de gênero para uniformes escolares, cerca de um terço das províncias vêm tomando essas medidas em resposta a um pedido feito pelo Ministério da Educação há cinco anos.

Para ganhar ampla aceitação, muitos estão apresentando as mudanças como um movimento que beneficia os alunos como um todo, aumentando a flexibilidade em prol do conforto e conveniência.

Pesquisas da Kyodo News com conselhos de educação descobriram que mais de 600 escolas administradas por prefeituras em pelo menos 19 das 47 províncias do Japão relaxaram as restrições em relação aos códigos de vestimentas dos uniformes, como permitir que as meninas usem calças ao invés de saias.

Algumas escolas nas outras 28 províncias seguiram o exemplo, embora dados definitivos não estão disponíveis em seus conselhos de educação. No entanto, pesquisas feitas pela Kyodo News descobriram que, a partir da próxima primavera, as opções de uniformes escolares serão expandidas em todo o país para todas as escolas de segundo grau.

Em agosto, um aluno de uma escola secundária localizada no bairro Edogawa, em Tóquio, que nasceu como mulher, mas se identifica como homem, fez um discurso fervoroso para o prefeito Takeshi Saito para “parar o aumento de crianças feridas pelos uniformes escolares”, exigindo que todas as escolas ofereçam aos alunos uma escolha de uniformes não relacionadas ao gênero.

“Eu costumava sufocar minhas emoções e pensava em morrer antes de chegar à idade adulta”, disse o aluno, que escolheu um colégio que permite que os alunos usem suas próprias roupas após a amarga experiência de ser obrigado a usar saia no colégio.

O prefeito sugeriu que iria considerar a modificação dos uniformes escolares.

“Ao aumentar as opções, irá oferecer uma linha de salvação para os alunos que precisam”, disse Ryosuke Nanasaki, representante da comunidade LGBT de Edogawa.

A medida mais comum tem sido permitir o uso de calças para estudantes do sexo feminino, mas as escolas também estão descaracterizando os uniformes como masculino ou feminino, permitindo assim, que até os estudantes do sexo masculino utilizem saias. Nas escolas de segundo grau que não adotaram as medidas de flexibilização dos uniformes como regra geral, irão abordar essas questões caso a caso, se houver solicitações.

De acordo com Nanasaki, pelo menos um funcionário da escola expressou o medo de que “os estudantes que nasceram do sexo masculino, mas decidem usar saias, possam se tornar alvos de bullying“.

Apesar de insistir que tal escolha deve, no entanto, ser disponibilizada, Nanasaki disse que ” a compreensão entre os adultos ainda é muito carente”.

Um membro do corpo docente de uma escola pública localizada em Kyushu, onde os alunos têm a liberdade de escolher seus uniformes, também admitiu que a política poderia sair pela culatra se o “apelo for feito apenas em consideração às minorias sexuais”.

A menos que a justificativa seja ampliada, esses alunos podem hesitar em usar os uniformes com os quais se sentiriam mais confortáveis por medo de se destacar. De acordo com o docente ” é importante que os alunos possam escolher livremente, não importa qual seja o motivo, inclusive quanto à funcionalidade”.

Makoto Matsumoto, uma estudante do segundo ano da Escola Secundária Fujieda Nishi de Shizuoka, trocou as saias pelas calças, dizendo que elas eram simplesmente mais confortáveis e protegidas do frio. “Se eu usar calças, não tenho que me preocupar com minhas pernas congelando. Também não preciso me preocupar com a minha saia subindo enquanto pedalo minha bicicleta. Não vou voltar a usar saias”, disse a estudante.

“Para que os alunos usem os uniformes escolares fielmente, é importante darmos a eles uma escolha que corresponda ao que desejam como indivíduo”, disse Hiroko Onitsuka, conselheira de orientação estudantil da Fujieda Nishi, a escola considerou grandes revisões para uniformes em 2018.

Para o Japão, que é um país muito apegado às tradições, vemos um grande avanço nesta liberdade e flexibilidade nas escolas, principalmente pela inclusão da comunidade LGBT. Agora vamos torcer para que todas as escolas adotem o quanto antes essas medidas.

#diaadia


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