Quem foram as pessoas que estão nas notas de ien | CULTURA DO JAPÃO

2020.01.13

Todos sabem que a moeda oficial do Japão é o Iene (yen, representado por ¥) e atualmente temos 4 tipos de notas em circulação: ¥1.000, ¥2.000, ¥5.000 e ¥10.000. As notas de ¥2.000 não são mais impressas mas ainda é possível encontrá-las em circulação (porem, raramente) e ainda há máquinas que as aceitam como forma de pagamento.

Mas você já parou para pensar quem são as pessoas representadas nas notas que usamos quase todos os dias? Quais seus nomes, quem foram, qual sua importância e porque estão com a cara estampada no nosso dinheiro? Para saber mais, dá uma conferida logo abaixo!


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O homem na nota de ¥1.000 é Hideyo Noguchi. Ele foi um cientista que viveu de 1876 até 1928. Quando tinha 2 anos de idade, ele caiu no braseiro da sala de sua casa e se queimou gravemente. Devido às queimaduras, perdeu boa parte do movimento do seu braço esquerdo além de ter sequelas por todo seu corpo.

Dizem que na escola ele era humilhado devido às deformações que tinha, e sua mãe sentia muito remorso por ter deixado o acidente acontecer. Ela sempre o incentivou aos estudos, e sendo muito inteligente, Hideyo atraiu a atenção de muitos professores. Quando estava no ensino médio, um inspetor escolar visitou a escola que o jovem estudava e notando seus talentos o convidou-o a fazer um  estudo secundário em sua escola, além de ter encaminhado o jovem para um médico que conseguiu fazer Hideyo recuperar alguns de seus movimentos no braço.

O médico, chamado Kanae Watanabe, percebeu a inteligência de Hideyo e o incentivou a estudar medicina, além de línguas como inglês, francês e alemão. Ele obteve seu diploma de médico na Universidade de Tóquio. Em 1901 foi estudar e trabalhar na Pensilvânia, onde realizou diversas pesquisas sobre venenos. Ele foi um dos pesquisadores que descobriu o soro antiofídico, contra picada de cobras. Em 1904 mudou-se para Nova York e focou nas pesquisas sobre sífilis.

Seus estudos e métodos para detectarem a doença o tornaram muito famoso no meio científico e o fez viajar o mundo para estudar e pesquisar cada vez mais. Em 1927, fez uma grande descoberta onde comprovou que a febre amarela se tratava de uma doença viral e não bacterial como antes pensava. Mas infelizmente Hideyo acabou sendo vítima de seu próprio material de estudo, depois de contrair a febre amarela e falecer em 1927.


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A mulher representada na nota de ¥5.000 é Ichiyo Higuchi. Ela é a primeira mulher a ser estampada nas notas de ien. Ichiyo foi uma poeta e contisa japonesa. Mesmo tendo vivido apenas 25 anos, de 1872 até 1896, foi de grande importância para a literatura japonesa e seus romances são lidos até hoje pelo público japonês.

Mesmo na pobreza, em sua casa havia um ambiente como de um sarau. Diz-se que Ichiyo tinha facilidade em lidar com as pessoas, possuía um pensamento pessimista, chorava com facilidade, sendo até comentado que na sua vida não tinha espaço para amores. Transmitia a sensação de amadurecimento precoce em relação à sua idade. Dizem também que tinha alto grau de miopia, mas recusava-se terminantemente a usar óculos.

Nascida na Era Meiji com fortes resquícios do feudalismo, numa época em que a posição socioeconômica de uma mulher ainda não tinha a liberdade de hoje, a escritora sujeitou-se aos conceitos de virtude social da época, sem revoltar-se contra a sua realidade. Por ter vivenciado dificuldades, seu romantismo repleto de emoção ao descrever personagens oprimidos, especialmente a complexa psicologia feminina, faz dela a escritora número 1 da Era Meiji, devido à pureza que confere às suas obras.


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A nota de ¥10.000 é a mais valiosa da moeda japonesa (e equivale a aproximadamente R$370). O homem nela estampado é Fukuzawa Yukichi. Foi escritor, tradutor, empresário e jornalista, ativista dos direitos humanos. Um dos principais articuladores da modernização do Japão e considerado o “Voltaire japonês”.

Ele nasceu em uma família pobre, em 1835 em Osaka. Na época, Osaka era o principal centro comercial do Japão. Quando tinha 19 anos, seu irmão (patriarca da família) orientou-o a ir à Nagasaki estudar holandês. Em Nagasaki, sua estadia foi breve visto que a inteligência de Fukuzawa começou a ofuscar seu anfitrião Okudaira Iki. Iki, para se livrar de Fukuzawa, escreveu uma carta falsa ao jovem dizendo que sua mãe estava doente fazendo-o regressar à Osaka. Já em sua cidade natal e vendo que sua mãe estava bem, seu irmão o persuadiu a continuar seus estudos e depois de três anos tornou-se fluente em holandês.

Quando o Japão abriu três portos para navios ocidentais, Fukuzawa descobriu que praticamente todos falavam inglês ao invés de holandês e então dedicou seus estudos à nova língua. Em 1859 foi para a Califórnia em um navio enviado para a primeira missão diplomática com os Estados Unidos. Até seu retorno ao Japão, ele trabalhou como um tradutor oficial para o Xogunato Tokugawa, e escreveu seu primeiro livro, um dicionário inglês-japonês. Em 1862 ele visitou a Europa como um dos tradutores oficiais da primeira embaixada japonesa no continente.

Fukuzawa fundou uma escola para ensinar holandês e em 1868 trocou o seu nome para Keio Gijuku. Inicialmente, a escola privada tinha em foco estudos do ocidente. Depois, ele expandiu-a e estabeleceu a faculdade, em 1890. Ainda hoje, a Universidade de Keio é bem referenciada na educação japonesa.


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As notas de ¥2.000 são as únicas que não possuem um rosto mas sim uma estrutura estampada. É o Shureimon, um portão construído entre 1527 e 1555 em Naha (Okinawa), e foi considerado tesouro nacional em 1933. Foi destruído durante a 2ª Guerra Mundial, mas reerguido 20 anos depois.


Para saber mais da cultura japonesa fique atento(a) em nosso site! 

Espero que tenham gostado! Até a próxima!


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(Informações retiradas de Super Interessante , Japão em Foco e Nippo Brasil)