“Japão em primeiro lugar”: o que está por trás do discurso populista nas eleições?

Ontem foi dia de eleição no Japão para a Câmara dos Conselheiros, e um dos temas que mais chamou atenção foi o uso do discurso 日本ファースト (Nihon Fāsuto), ou “Japão em primeiro lugar”. Inspirado em slogans nacionalistas de outros países, como o America First de Donald Trump, esse termo vem sendo adotado por partidos e candidatos com posicionamentos conservadores, o que preocupa muitos estrangeiros que vivem no país.
O que é o 日本ファースト?
O termo surgiu em discursos de políticos que defendem endurecer regras de imigração, priorizar japoneses em políticas públicas e preservar “valores tradicionais” do Japão. Apesar de parecer, à primeira vista, uma defesa da identidade nacional, esse tipo de retórica tem sido associada ao aumento da intolerância e à marginalização de minorias e imigrantes, que hoje representam apenas cerca de 3% da população japonesa.
Quem está por trás desse movimento?
Grupos políticos como o Nippon Daiichi no Kai (日本第一党, Partido do Japão em Primeiro Lugar) e outros movimentos de direita populista vêm ganhando espaço em redes sociais e até elegendo representantes para a Câmara Alta do Parlamento japonês. Um dos nomes mais polêmicos é Makoto Sakurai, conhecido por seus discursos contrários à imigração e por alimentar teorias da conspiração, como a ideia de que estrangeiros recebem benefícios indevidos do governo.
O partido 参政党 (“Sanseitō”), com o slogan “日本人ファースト”, obteve 14 cadeiras na eleição para a Câmara Alta (参議院), elegendo candidatos em 45 distritos.
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O quanto isso pode ser problemático?
Embora esses partidos ainda tenham pouco poder legislativo, sua presença pode influenciar o debate político e pressionar outros partidos a adotarem pautas mais nacionalistas para conquistar votos. Isso preocupa defensores dos direitos humanos e estrangeiros residentes, que já enfrentam barreiras culturais e legais no dia a dia.
Lembranças perigosas do passado
O crescimento de discursos nacionalistas, conspiratórios e excludentes lembra momentos sombrios da história mundial, como a ascensão de regimes autoritários nos anos 1930. A Alemanha também começou com a criação de um “inimigo interno”, culpando minorias pelos problemas do país. O paralelo não é exato, mas o alerta é importante.
Por que essa pauta tem apoio?
Em tempos de crise econômica, envelhecimento populacional e incertezas globais, é comum que parte da população busque “respostas fáceis” para problemas complexos. Discurso de “culpa nos estrangeiros” é um atalho perigoso, mas eficaz para conseguir apoio de quem se sente deixado para trás.
Como a internet e as redes sociais dão força a partidos nacionalistas?
Nos últimos anos, partidos nacionalistas ganharam força em muitos países, inclusive no Japão, impulsionados por um fator em comum: a internet e, principalmente, as redes sociais.
- Antes, políticos dependiam da TV, rádio ou jornais para divulgar suas ideias, meios que impunham limites e filtros editoriais. Agora, basta um celular com câmera para publicar discursos polêmicos, ataques ou teorias da conspiração diretamente para milhares de seguidores. Isso favorece candidatos que apostam em mensagens fortes, simplistas e muitas vezes radicais.
- Redes sociais como Twitter, Facebook e YouTube criam algoritmos que mostram mais do que a pessoa já gosta ou acredita. Isso gera bolhas ideológicas, onde só opiniões semelhantes circulam. Assim, discursos nacionalistas podem parecer mais populares do que realmente são, reforçando ideias preconceituosas sem contestação.
- Candidatos nacionalistas costumam explorar o sentimento de medo e insatisfação. Usam narrativas como “os estrangeiros estão tirando seus empregos” ou “o governo protege os de fora e esquece o povo”. Nas redes, essas mensagens são fáceis de viralizar, especialmente em tempos de crise econômica ou insegurança social.
- Partidos pequenos ou sem grande apoio da mídia tradicional encontram nas redes sociais um espaço para mobilizar seguidores, arrecadar doações e organizar manifestações. O impacto é direto e rápido, como foi o caso recente do 日本第一党 (Partido do Japão em Primeiro Lugar), que atraiu centenas de apoiadores apenas com postagens e lives.
- Muitas das mensagens espalhadas têm base em dados distorcidos ou narrativas sem provas, mas circulam com rapidez porque mexem com emoções. A ausência de um controle mais rígido permite que mentiras se espalhem mais rápido que a verdade.
Cultura pop e mal-entendidos virais: Anime, mangás e mangás (como Tokyo Revengers) às vezes trazem símbolos como a suástica budista (manji), que se parece com a suástica nazista, porém sem a carga ideológica relacionada ao nazismo. Alguns usuários nas redes podem usar isso para polemizar, mas isso não tem a ver com posicionamento político.
Sou brasileiro e não posso votar nas eleições japonesas, então o que posso fazer?
A melhor forma de combater o preconceito é com informação. Entender o que está acontecendo na política japonesa ajuda você a não cair em informações falsas, e ainda permite explicar para amigos, vizinhos e até colegas de trabalho.
E também, usar as redes sociais com responsabilidade: Mesmo sem poder votar, temos voz. Compartilhe conteúdos que mostrem o valor dos estrangeiros no Japão. Denuncie discursos de ódio e desinformação, mas sem cair em ofensas ou extremismos.
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