Japão tem menor número de crianças da história, mas mercado de brinquedos bate recorde
O Japão vive um contraste curioso: enquanto o número de crianças no país chegou ao menor nível já registrado, o mercado de brinquedos alcançou seu maior valor da história.
Segundo dados divulgados pelo Ministério de Assuntos Internos e Comunicações, o Japão tinha cerca de 13,29 milhões de crianças com menos de 15 anos em 1º de abril de 2026.
O número representa uma redução de aproximadamente 350 mil crianças em comparação com o ano anterior e marca o 45º ano consecutivo de queda. É o menor número registrado pelas estatísticas japonesas.
Além disso, as crianças representam atualmente apenas 10,8% da população japonesa. Em 1950, essa proporção era de 35,4%. O percentual vem diminuindo há 52 anos consecutivos.
Mercado de brinquedos vai na direção contrária
Enquanto a população infantil diminui, as vendas de brinquedos continuam crescendo. De acordo com a Associação Japonesa de Brinquedos, o mercado japonês movimentou aproximadamente 1,166 trilhão de ienes no ano fiscal de 2025, período entre abril de 2025 e março de 2026.
O resultado representa crescimento de 6,3% em relação ao ano anterior e é o maior valor registrado desde que a associação começou a realizar a pesquisa no formato atual, em 2001.
O setor já acumula cinco anos consecutivos de recordes desde 2021, mesmo com o avanço da baixa natalidade no país.
Por que os brinquedos vendem mais se há menos crianças?
Uma das explicações está em uma mudança importante no perfil dos consumidores.
Brinquedos, figures, produtos de personagens e itens colecionáveis deixaram de ser comprados apenas para crianças. Cada vez mais adultos também consomem esses produtos como forma de entretenimento, coleção ou hobby.
No Japão, esse comportamento é chamado de “kidult” (キダルト), expressão formada pela combinação das palavras inglesas kid (criança) e adult (adulto).
O próprio Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão aponta que a capacidade das fabricantes de conquistar consumidores adultos é um dos fatores por trás do crescimento do setor mesmo durante a redução da população infantil.
Empresas japonesas também vêm ampliando produtos voltados para colecionadores e fãs adultos, acompanhando fenômenos como o 推し活 (oshikatsu), atividades e compras relacionadas a personagens, artistas e outras figuras de que uma pessoa é fã.
De brinquedo infantil a item de coleção
Personagens, miniaturas, figuras, cartas colecionáveis, cápsulas de gashapon e produtos que despertam nostalgia em quem cresceu com determinadas séries passaram a atingir diferentes gerações.
Marcas tradicionais também perceberam essa mudança. Produtos que antes eram associados principalmente às crianças passaram a encontrar consumidores entre adultos que cresceram com esses personagens e continuam acompanhando as marcas.
O Ministério da Economia cita, por exemplo, o caso da tradicional Sylvanian Families, lançada em 1985 e que hoje também conquista consumidores adultos, além do público infantil.
Um mercado que precisou se adaptar à baixa natalidade
Os números mostram uma transformação interessante do consumo no Japão.
De um lado, o país enfrenta uma redução contínua de sua população infantil. De outro, a indústria de brinquedos conseguiu ampliar seu público para além das crianças.
Em outras palavras, há menos crianças comprando e recebendo brinquedos no Japão, mas há cada vez mais adultos dispostos a gastar com produtos que também fazem parte desse mercado.
Imagem: Canva
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