Quanto custa ter um filho no Japão? Da gravidez até a creche

Ter um filho no Japão pode envolver custos que nem todo mundo imagina. Desde as primeiras consultas de pré-natal até os anos iniciais na creche ou no yōchien, o caminho é repleto de etapas importantes que exigem planejamento financeiro. Nesta matéria, vamos mostrar, com números reais e exemplos, quanto custa ter um filho no Japão e o que o governo oferece para ajudar nesse processo.
- Pré-Natal
- Preparação antes do nascimento
- Parto e internação
- Subsídios para partos no Japão
- Primeiro ano de vida (alimentação, fraldas, e higiene)
- Creche
- Ajuda do governo para as crianças
Pré-Natal

Antes mesmo do parto, é comum que as gestantes passem por cerca de 14 consultas médicas, com custo médio de ¥110.000, esse valor se refere ao total antes da aplicação dos cupons-subsídio oferecidos pelos governos municipais. Os valores podem variar, mas normalmente os cuidados com o pré-natal, inclui exames de sangue, ultrassonografias e consultas regulares, dependendo da região e da clínica escolhida. Embora existam auxílios públicos que ajudam a aliviar esse gasto, é importante se preparar financeiramente desde os primeiros passos da gravidez.
No Japão, assim que a gravidez é confirmada, a gestante deve se dirigir à prefeitura (区市町村) para entregar a Declaração de Gravidez (ninnshin todoke) e receber a Caderneta de Saúde da Mãe e da Criança (boshi kenko techo). Junto com essa caderneta, são entregues os chamados cupons-subsídio para exames pré-natais (妊婦健康診査補助券), com objetivo de reduzir ou eliminar os custos de até 14 consultas recomendadas durante a gestação. Em caso de gravidez múltipla (gêmeos, por exemplo), são fornecidos cupons extras até 19 no total.
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Preparação antes do nascimento

| Item | Custo Estimado |
|---|---|
| Berço (novo) | ¥4.400 – ¥26.000 |
| Berço (aluguel) | ¥9.000 – ¥13.000 (6 meses) |
| Carrinho | ¥15.000 – ¥60.000+ |
| Roupas | Roupas baratas (em lojas como Nishimatsuya e Uniqlo Kids): ¥300 a ¥1.500 por peça, ideais para uso diário. Roupas para sair ou eventos: ¥3.000 a ¥5.000 por peça, conforme necessidade estética ou material. |
| Itens básicos de higiene e uso diário (1º mês da criança) | ¥6.000–¥15.000 (fraldas, pomadas, lenços umedecidos, banheira, cortador de unha, toalhas, mamadeira, etc) |
Parto e internação

No Japão, os custos de parto podem variar consideravelmente dependendo do tipo de nascimento, natural ou cesárea.
Parto natural:
- Média nacional (primeira metade do ano fiscal de 2024): ~¥518.000;
- O levantamento do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem‑Estar mostrou que, em 2022, o custo médio foi ¥482.294, com variações entre ¥463.450 (hospitais públicos) e ¥506.264 (hospitais privados);
- Em Tóquio, normalmente é mais alto, chegando a ¥605.000, enquanto em regiões mais baratas como Kumamoto, pode ser ¥361.000–¥388.000
Parto via cesárea:
O custo do procedimento cirúrgico (sem contar internação e extras) é fixo por tabela de seguro saúde:
- Cesárea programada: cerca de ¥201.400;
- Cesárea de emergência: cerca de ¥222.000
- A internação após cesariana costuma ser mais longa (7–10 dias versus 4–6 de um parto natural), o que eleva custos com hospitalização, refeições, medicamentos e possíveis taxas de quarto privado.
Subsídios para partos no Japão

O subsídio governamental para ajudar nos custos do parto no Japão chama-se 出産育児一時金 (Shussan Ikuji Ichijikin). Até março de 2023, o subsídio era de ¥420.000 por nascimento; caso o hospital não estivesse no programa de compensação médica, o valor era ¥408.000. Desde 1º de abril de 2023, o valor foi oficialmente aumentado para ¥500.000 por parto, independentemente de parto natural ou cesárea.
Como funciona na prática:
- O subsídio pode ser pago diretamente ao hospital (através do sistema “pagamento direto”) ou recebido pela família depois, conforme escolha;
- Se o custo total do parto for menor que ¥500.000, o valor restante é reembolsado à família;
- Caso o custo exceda ¥500.000, a família paga apenas a diferença.
Exceções: Se o parto ocorrer antes de 22 semanas ou em hospital não participante do sistema de compensação médica, o valor é reduzido para ¥488.000.
Primeiro ano de vida (alimentação, fraldas, e higiene)

Se a criança tomar fórmula, o gasto estimado mensal é de: ¥3.200–¥5.200 por mês. O que nos faz considerar ¥38.400 à ¥62.400 anualmente, dependendo da marca e o tipo de fórmula que será recomentado para a criança.
Estimativa para o 1º ano: cerca de ¥400.000 para despesas diversas (alimentação, produtos, e roupas).
Creche

Quando a criança está entre 1 e 3 anos, muitos pais começam a buscar uma creche (hoikuen) ou um jardim de infância (yōchien). As creches públicas costumam cobrar o valor variando conforme a renda da família.
- Valor mínimo: ¥0/mês, para famílias com renda baixa (isentas de imposto municipal, do tipo “não tributável”);
- Valor máximo nas 23 regiões centrais de Tóquio: cerca de ¥70.000–¥77.500/mês, dependendo do distrito e do nível de renda;
- Para famílias com dois ou mais filhos têm reduções no segundo filho.
Já os yōchien, que oferecem uma abordagem mais educacional a partir dos 3 anos, têm mensalidades que ficam entre ¥60.000 e ¥100.000 mensais. No entanto, desde 2020, o governo japonês implementou uma política que tornou gratuita a educação para crianças de 3 a 5 anos em instituições públicas, desde que ambos os pais estejam trabalhando. Essa medida visa aliviar os custos com educação infantil e incentivar a participação das mulheres no mercado de trabalho.
No Japão, a partir dos 3 anos completos, crianças em yōchien públicos (incluindo creches integradas — nintei kodomoen) têm a matrícula e a mensalidade totalmente gratuitas, graças ao programa nacional de 幼児教育・保育の無償化 (educação infantil gratuita). No Yōchien privado, para crianças de 3 a 5 anos, o governo oferece subsídio mensal de até ¥25.700 sobre a mensalidade.
Ajuda do governo para as crianças:
Kodomo Teate (Auxílio Infantil ou Subsídio para Crianças)

O 児童手当 (kodomo teate) é um subsídio mensal pago pelo governo japonês que foi estendido recentemente para os filhos até completarem 18 anos. Valores atuais (a partir de outubro de 2024):
- 0 a 2 anos: ¥15.000 por criança; se for o 3º filho ou mais, ¥30.000 mensais;
- 3 anos até o fim do ensino médio: ¥10.000 por criança; 3º filho ou mais recebe ¥30.000 mensais.
Sem limite de renda: desde outubro de 2024, o benefício foi aberto a todas as famílias, independentemente dos ganhos. O benefício é pago seis vezes por ano, nos meses pares (fevereiro, abril, junho, agosto, outubro e dezembro), cobrindo dois meses acumulados cada vez.
医療費助成制度, Iryōhi Josei Seido (Programa de Assistência Médica ou Sistema de Subsídio para Despesas Médicas)

Esse programa varia por prefeitura, mas, em geral:
- Crianças até os 15 anos (ou até o final do ensino médio) recebem atendimento quase gratuito em hospitais e clínicas;
- Em Tóquio, por exemplo, muitas regiões cobrem 100% dos custos médicos para crianças até 15 ou 18 anos;
- Algumas cidades pedem um pagamento simbólico de ¥200 a ¥500 por consulta, mas em muitos lugares é zero;
- O benefício vale tanto para consultas médicas, quanto medicamentos e internações.
Quem tem direito?
- Crianças registradas na prefeitura local;
- Que estejam cobertas por algum tipo de seguro de saúde japonês (kokumin kenko hoken ou shakai hoken);
- Em algumas regiões, também se estende a estudantes do ensino médio.
Como se cadastrar? Após o nascimento da criança e o registro na prefeitura, o responsável deve: Inscrevê-la no seguro de saúde Solicitar o cartão de isenção médica infantil (小児医療証 – shōni iryōshō). Esse cartão deve ser apresentado sempre que a criança for a uma clínica, hospital ou farmácia. Vacinas opcionais e consultas não cobertas pelo seguro (ex: check-ups estéticos ou não urgentes) não estão incluídas.
Ter um filho no Japão exige preparação, mas os custos podem ser bem administráveis graças ao suporte do governo. Considerando os cuidados com o pré-natal, o parto e as despesas do primeiro ano de vida, como alimentação, fraldas e roupas, uma família pode gastar, em média, cerca de ¥520.000 a ¥550.000 até a entrada na creche. Esse valor pode ser ainda menor com o uso consciente de subsídios, lojas de segunda mão e kits promocionais. Com planejamento e informação, é possível oferecer uma boa estrutura para o bebê sem comprometer demais o orçamento familiar.
Depoimento: Minha experiência de ter filho no Japão.
PAI DE DUAS CRIANÇAS EM AICHI-KEN
Na minha opinião, ter filhos aqui no Japão não tem um custo tão alto quanto muitos imaginam. Existem muitas ajudas do governo, como creche gratuita, consultas médicas sem custo, e uma grande quantidade de parques ao ar livre espalhados por todo o país – inclusive perto de casa. Isso já alivia bastante o bolso.
Em relação às compras de enxoval, como berço, carrinho e afins, aí sim pode pesar um pouco mais. Eu tive a sorte de ganhar bastante coisa de amigos e familiares. Mas para quem precisa comprar, há opções para todos os bolsos, desde os mais baratos até os mais caros. Além disso, as lojas de produtos usados são ótimas – muitos itens parecem novos e custam metade do preço.
Sobre a fórmula de leite em pó: meu filho precisou tomar, e comparando com o Brasil, por exemplo, aqui no Japão é bem mais acessível. Existem várias marcas e opções, então dá para encontrar algo que caiba no orçamento.
Fraldas e itens de higiene também têm grande variedade de marcas e preços. Sempre dá para achar algo que se encaixe no seu orçamento. E vale lembrar: existem kits promocionais com fórmula, lenço umedecido, papinhas etc., por um preço mais em conta. Eles fazem isso justamente para você testar os produtos da marca. Vale a pena ficar de olho.
Sobre a creche (hoikuen), até hoje não precisei pagar nada. E com meu filho mais velho, que já está no shougakkou (ensino fundamental), só pago a refeição da escola – cerca de 7 mil ienes por mês. Considerando que ele almoça todos os dias da semana, é um valor muito bom.
Transporte também não é um problema: tudo é perto, e as crianças costumam ir andando para a escola.
Além disso, o kodomo teate (auxílio infantil) ajuda bastante. Ele cobre várias despesas do dia a dia e, quando sobra, dá até para usar em momentos de lazer com as crianças. A dica é usar com sabedoria e sempre pensando no bem-estar deles.
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