Você sabe a qual classe social pertence no Japão?

Existe uma divisão de classes sociais no Japão?

Assim como em vários países, há pessoas morando nas ruas enquanto outras gastam milhões e embora não seja tão perceptível, as divisões sociais no Japão existem e são atualmente baseadas na renda anual, ocupação e outras suposições.

Trabalhadores no Japão
Crédito:Taro Yokosawa via Nikkei Asia

O Japão é visto como uma sociedade homogênea, há poucos estrangeiros, as diferenças linguísticas são raras e as distinções de classe não são tão evidentes. Em contraste com outros países, a sociedade japonesa não parece ter grandes diferenças sócios-econômicas. No entanto, isso não quer dizer que não existam pessoas menos desfavorecidas na sociedade.

Há muitos problemas sociais no Japão que o mundo externo talvez não perceba em um primeiro olhar, mas quem já mora há um tempo, consegue observar as divisões. Mas como será que funciona esta divisão social no Japão?

Para compreender a sociedade atual, precisamos falar sobre como eram as divisões sociais no passado.

Fatos sobre a sociedade japonesa feudal

O Japão feudal era dividido em quatro camadas baseadas no princípio da preparação militar
Crédito: Getty Images

O Japão feudal era dividido em quatro camadas baseadas no princípio da preparação militar. No topo do sistema estavam os daimyo e seus servos samurais, depois vinham os agricultores, artesãos e comerciantes. Abaixo do sistema estavam as pessoas que foram atribuídas à tarefas desagradáveis ​​ou impuras, como curtimento de couro, abate de animais e execução de criminosos condenados. Essas pessoas são conhecidas como burakumin, ou “pessoas da aldeia”.

Durante a era feudal, o sistema de castas no Japão era hereditário, ou seja, se a pessoa nascesse na classe dos samurais, os descendentes dela também permaneceriam nesta classe social.

Ao contrário da sociedade feudal europeia, em que os camponeses (ou servos) estavam na base, a estrutura de classe feudal japonesa colocava os comerciantes no degrau mais baixo. Como os agricultores produziam alimentos para todos na sociedade, eles eram muito mais importantes do que os comerciantes.

De todas as minorias no Japão, a que mais sofria eram os burakumin, a casta mais baixa na hierarquia social, que até hoje podem enfrentar a discriminação de outros japoneses na contratação e no casamento.

Diferenças sociais no Japão

Um senhor se alimentando na área central de Nagoya
Crédito:Dia a Dia/ Um senhor se alimentando na área central de Nagoya

Em 1868, uma série de choques radicais redefiniram completamente a ordem social do Japão.

Para abordarmos este assunto, é importante ressaltar que a percepção da sociedade japonesa atual difere do mundo ocidental e o poder aquisitivo do dinheiro também é bem diferente.

Apesar desta história de divisão de classes sociais ter sido mais evidente no passado, o conceito atual de sociedade homogênea, na verdade, é apenas uma ilusão. Os japoneses são classificados em “castas” com base em sua renda anual, ocupação e outras suposições.

A classe mais baixa tem uma renda de até ¥3 milhões de ienes por ano, a classe média tem uma renda anual de 4 a 9 milhões de ienes. E as pessoas de classe alta, têm rendas que ultrapassam os 10 milhões de ienes. Cada uma dessas 3 classes é subdividida em 4 níveis definidos:

Subdivisão das classes sociais no Japão

Pirâmide das classes sociais no Japão

Classe baixa

Pessoas atravessando a faixa de pedestres em frente à Estação de Nagoya
Crédito: Dia a Dia/ Pessoas atravessando a faixa de pedestres em frente à Estação de Nagoya

Nível 12: inferior (renda anual de 0 a 990 mil ienes)

Nível 11: fraco (renda anual de 1 milhão de ienes)

Nível 10: grupo de baixa renda (renda anual de 2 milhões de ienes)

Nível 9: reserva pobre (renda anual de 3 milhões de ienes)

Classe média

Um homem japonês concentrado em uma área movimentada da estação
Crédito:Dia a Dia/ Um homem japonês concentrado em uma área movimentada da estação

Nível 8: camada de downstream (receita anual de 4 milhões de ienes)

Nível 7: classe média (renda anual de 5 milhões de ienes)

Nível 6: (renda anual de 6 milhões de ienes)

Nível 5: pessoas ricas (renda anual de 8 milhões de ienes)

Classe alta

Dinheiro do Japão
Crédito:Asahi

Nível 4: pessoas ricas (renda anual de 10 milhões de ienes)

Nível 3: pessoas ultra-ricas (renda anual de 20 milhões de ienes)

Nível 2: pessoa super bem-sucedida (renda anual de 30 milhões de ienes)

Nível 1: Tonojo (renda anual de 100 milhões de ienes)

O que é considerado ser bem de vida no Japão?

O que é considerado ser bem de vida no Japão?
Crédito:iStock / metamorworks

As percepções de ser uma pessoa bem de vida são muito relativas, para algumas pessoas não tem nada a ver com o dinheiro, mas sim com várias questões, como ter uma boa saúde, sucesso profissional, um bom relacionamento com a família, amigos.

Para outras pessoas, ser rico é ter um patrimônio com valores difíceis de ser alcançados por qualquer pessoa ou então ter uma renda superior a 10 salários mínimos.

No Japão, no contexto da comunidade brasileira, muitos consideram que ter sua casa própria, o carro do ano, bens materiais e mandar dinheiro para os familiares é um padrão de vida alto.

Outros compartilham do pensamento que ter uma boa vida no Japão é conseguir ter a liberdade de viajar, pagar as contas em dia, comer bem, comprar os itens de necessidade básica e guardar uma reserva de dinheiro.

O que seu carro pode dizer sobre a classe social no Japão?

Crédito: Dia a Dia
Crédito: Dia a Dia

Provavelmente você já pode ter sentado ao lado de um milionário sem saber, pois dificilmente você verá esta diferença nas vestimentas no Japão, pois de certa forma, não há tanta disparidade no modo de se vestir.

Os japoneses não costumam falar abertamente sobre o quanto recebem e sobre sua posição social e perguntá-los sobre este assunto é indelicado. Mas há algumas maneiras de matar a curiosidade observando alguns detalhes.

“A maioria da população se vê como classe média e tem o comportamento consumidor discricionário equivalente. Isso explica porque o luxo é um mercado de ‘massa’ no país, na medida em que bens de luxo são símbolo de um estilo de vida de classe média mesmo quando os consumidores se tornam mais sensíveis a preço”- explicou um estudo da consultoria Euromonitor, que avaliou a expansão da classe média global até 2030.

Leia o estudo da Euromonitor clicando aqui.

A classe média no Japão tem um poder de compra muito alto. Então como é possível descobrir se uma pessoa é bem de vida se a aparência externa não está relacionada?

Felizmente, para quem deseja ir além e entender mais como acontece essa divisão entre os ricos e pobres no Japão, uma alternativa é observar o carro delas. Embora nem sempre seja o que parece ser, o modelo de um carro pode dar alguma pista sobre a posição social.

Os modelos de carros “kei” são mais econômicos, por isso muitos estrangeiros que estão chegando no Japão ou idosos que não querem gastar tanto, acabam optando por este modelo. Mas os carros mais caros na casa dos 5, 7, 8, 15 milhões de ienes são mais comuns de serem vistos com executivos e pessoas com um alto poder aquisitivo.

A qual classe social no Japão os brasileiros pertencem?

Classe social no Japão
Crédito: x-hub.tokyo

Olhando para a nossa comunidade brasileira, embora tenha se passado mais de 30 anos construindo nossa história no país do Sol Nascente, podemos perceber que poucos brasileiros estão na camada de classe alta, com renda de 100 milhões de ienes por ano.

Mas aqui vamos abordar diferentes pontos de vista sobre em qual posição social (em média) a maioria da nossa comunidade está.

*Em um primeiro cenário vamos considerar a renda média anual de um operário brasileiro, que trabalha em dois turnos e tem uma família de 4 pessoas, formada pelo pai, a mãe e dois filhos.

A média mensal do salário da mãe seria 80 mil ienes (bruto), pois ela trabalha meio período. A renda média mensal do pai que trabalha em turnos alternados seria 350.000 ienes (bruto).

No total, esta família teria 430.000 ienes de renda bruta mensal e a renda anual seria 5.160.000 ienes. Considerando esta renda anual, esta família pertence ao nível 7 da classe média no sistema de castas japonês.

*Abordando outro cenário, no caso dos empreendedores brasileiros, essa classificação poderia facilmente ultrapassar as camadas mais altas, já que a renda não teria um limite mensal.

*Em um terceiro cenário, um estudante brasileiro que faz arubaito (com limite de 28 horas semanais) e recebe uma média de salário mensal de 112. 000 ienes (bruto) teria uma renda estimada em 1.344.000 ienes, então ele estaria no nível 11 da camada mais baixa.

Estes são apenas exemplos que criamos, a avaliação pode ser feita mais precisamente por você mesmo ao analisar a sua renda e a renda da sua família!

Espero que tenham gostado de saber sobre a divisão das classes sociais no Japão e saber que a sociedade japonesa não é tão homogênea quanto parece ser.

Matérias de referência: Thoughtco

#curiosidades

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